VSR passa a apresentar pico de circulação também na primavera, aponta estudo
Um estudo do Sabará Hospital Infantil, em São Paulo, mostra que a sazonalidade do vírus sincicial respiratório (VSR), principal causa de bronquiolite em bebês, mudou desde a pandemia de covid-19. Segundo a pesquisa, publicada no Jornal de Pediatria, o vírus passou a apresentar picos de circulação também na primavera, além do já conhecido aumento no outono, período que tradicionalmente concentrava a maior parte dos casos no país.
De acordo com os pesquisadores, a mudança está associada às medidas de distanciamento social e às restrições de circulação adotadas durante a pandemia, que alteraram temporariamente os padrões de transmissão de diversos vírus respiratórios, entre eles o VSR. Com o fim dessas restrições, a circulação do vírus voltou a crescer, mas passou a se comportar de forma menos previsível, com surtos fora da época historicamente esperada.
Segundo o estudo, publicado em versão online no periódico da Sociedade Brasileira de Pediatria, as alterações observadas no período pós-pandemia não se resumem à sazonalidade: mudaram também o perfil dos pacientes internados e os padrões de manejo clínico da doença.
Impacto na preparação dos hospitais
A imprevisibilidade na circulação do VSR tem exigido adaptação das unidades de saúde, que historicamente concentravam recursos e leitos para o período de maior circulação do vírus, entre o outono e o início do inverno. Com picos também na primavera, hospitais pediátricos precisam reforçar o planejamento de leitos, equipes e insumos em períodos que antes não demandavam a mesma atenção.
O médico Gustavo Wandalsen, do Instituto Pensi, um dos autores do estudo, destaca que a introdução da vacina contra o VSR na rotina de pré-natal de gestantes também pode influenciar os novos padrões de circulação do vírus, já que reduz o número de casos graves em bebês nos primeiros meses de vida e pode alterar a dinâmica de transmissão na população.
Mais internações, mas menos gravidade
Apesar do aumento no número de internações em alguns períodos do ano, o estudo aponta que a gravidade média dos casos de bronquiolite diminuiu no cenário pós-pandemia, quando comparada ao período anterior à covid-19. Fatores como o uso mais amplo de anticorpos monoclonais em crianças de maior risco e a chegada da vacina para gestantes contra o VSR estão entre as hipóteses levantadas para explicar essa redução na gravidade dos quadros.
O estudo reforça a necessidade de o sistema de saúde se adaptar a esse novo padrão de circulação do vírus, com monitoramento mais constante ao longo do ano e não apenas nos meses tradicionalmente associados ao pico da doença, para evitar a sobrecarga de hospitais e garantir atendimento adequado aos bebês em risco.
Fonte: Brasil 61




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